segunda-feira, 13 de maio de 2013

Qualificações para atuar no ministério de música


"... os meus zelosos adoradores... me trarão sacrifícios..." - Sofonias 3:10.

Ao lermos o texto acima, podemos concluir que o adorador é zeloso com aquilo que
o Senhor tem deixado em sua responsabilidade. A pessoa que zela por algo, o faz
considerando ao extremo seu valor. No Salmo 69:9, Davi se deixa consumir pelo zelo
das coisas do Senhor, a quem amava e servia: "Pois o zelo da tua casa me consumiu".
O músico que é um verdadeiro adorador tem no Senhor a sua maior riqueza e por Ele
zela com toda a sua força. Se os nossos ministérios de música estão passando por muitos
problemas e dificuldades, é porque está faltando zelo com as coisas que o Senhor tem
deixado em nossas mãos. Infelizmente, não generalizando, mas muitos músicos tem
demonstrado atitudes irresponsáveis, muitos deles não oram, não meditam na Palavra,
criam contendas e divisões, são insubmissos, não participam dos cultos, são egoístas e
rebeldes, enfim, demonstram falta de temor a Deus.
Através da sua Palavra, Deus oferece vários modelos para nossa vida. Assim, Ele tem
nos dado um modelo para o ministério de música com o qual devemos estar plenamente
identificados e comprometidos para que possamos ver os resultados espirituais que irão
surgir do mesmo.
É com esse espírito que vemos a necessidade de estruturarmos o ministério de música.
Devemos nos conscientizar de que Deus tem colocado uma riqueza em nossas mãos - A
música!
Este ministério, além de alegrar o coração de Deus, é um instrumento de edificação da
igreja e um veículo de proclamação do Evangelho.
A seguir, iremos observar algumas qualificações importantes para aqueles que desejam
participar do ministério de música. Vamos nos unir nesta visão, colocando toda nossa vida,
talentos e ministérios a serviço do Senhor, para que em tudo Ele seja glorificado.

QUALIFICAÇÕES DE UM MINISTRO

1- Real experiência com Deus. (Jo 3:3).

A pessoa que teve uma real experiência com Deus é aquela que não vive mais para
si mesma (Rm 14:7-8) e nem para o pecado (Gl 5:24; Rm 6:6, 11, 14); possui uma
inclinação para as coisas que são do alto (Cl 3:1; Mt 6:33) e sua experiência se baseia na
Palavra de Deus e no Deus da Palavra.
O problema que temos encontrado nesses dias, é que muitos músicos não têm uma real
experiência com Deus, não são regenerados. O que eles possuem é apenas um desejo de
tocar, tocar, tocar, ou cantar, cantar, cantar. Os problemas surgem porque falta coração
regenerado. O músico precisa passar pela experiência da regeneração. Este é o requisito
básico e principal para todo aquele que quer servir na casa do Senhor.

2-Consagração. (Lv 27: 28-29).

Consagrado significa ser separado para servir conforme o propósito de Deus. Quando
temos uma real experiência, somos separados do pecado a fim de servirmos a Deus e
vivermos para Ele (II Co 5:15).
Portanto, o verdadeiro ministro de música tem a convicção de que é uma pessoa separada
por Deus, e que seus dons e talentos são dedicados inteiramente ao serviço à Ele. De
que maneira temos utilizado os nossos dons e talentos? Temos utilizado para os nossos
próprios interesses ou para servir a Deus e as pessoas? A evidência clara de que alguém
tem uma vida consagrada a Deus são os frutos que acompanham o seu serviço (Tg 2:18,
26; Jo 12:24; 15:18). Qual o fruto que temos oferecido?

3- Comunhão com Deus. (Sl 84:4-5).

Comunhão com Deus é habitar no conselho de Deus, é ter uma identificação com o altar.
Alguém que não tem identificação com o altar não é um ministro de música.
Infelizmente, muitos músicos não valorizam e nem priorizam um tempo a sós com Deus e
é por isso que muitas vezes não há um fluir na ministração dos cânticos, pois falta unção.
Dizem por aí: "a Bíblia do músico é o seu instrumento". Quanto tempo você se dedica

estudando a música e quanto tempo você se dedica estudando a Palavra de Deus? É claro
que as duas coisas são importantes, mas há uma grande diferença entre um ministro de
música e um tocador de instrumento: O ministro se identifica com Deus e usa da música
o instrumento para o seu crescimento espiritual. O tocador está identificado com o seu
instrumento e visa apenas o seu desempenho musical.
A Palavra e a oração são a base de todo o serviço. O que se pode esperar de alguém que
não medita e não ora? Que utilidade tem este tipo de pessoa? Com certeza, nenhuma! Os
homens cuja vida e ministério glorificavam a Deus eram homens de meditação e oração. O
Senhor Jesus é o nosso maior exemplo (Lc 4:2; 6:12). A. W. Tozer disse: "Nunca ouça um
homem que não ouve a Deus".
Se quisermos mais unção em nosso ministério precisamos saber que o "endereço" é o
santuário (Sl 77:13a). Enfim, a qualidade do ministério de música está vinculada a vida no
altar (Rm 12:1; I Pe 2:5). Sejamos ministros do altar!

4- Servo. (Mt 20:28).

Hoje em dia, muitos "ministros de música" querem ser servidos e não estão dispostos a
servirem, voltados para os seus próprios interesses e motivações. O verdadeiro servo não
é conhecido pelo seu título, mas sim pelo seu modo de viver, em outras palavras, suas
atitudes falam mais alto que suas palavras.
Infelizmente, não se tem encontrado músicos com coração de servo, por isso, não é difícil
ouvirmos frases do tipo: "o meu instrumento é melhor", "a minha música é melhor", "a
minha banda é melhor", "eu sou o melhor", "não abro mão do meu lugar à ninguém", "não
faço tal coisa porque não é o meu ministério", etc. Por causa dessas frases de alguns
músicos, tem se criado em nosso meio um terrível espírito chamado competição. Isso
com certeza além de entristecer o coração de Deus, dá lugar a um ambiente de desamor,
impróprio à presença divina (I Co 3: 1-7).
O responsável pelo espírito de competição chama-se Satanás! (Ez 28:2; I Rs 18:21).
Desde o princípio do mundo ele tem procurado competir sem êxito, com o Todo Poderoso.
Satanás tem tido acesso ao meio evangélico através deste espírito de forma muito sutil.
O reino das trevas é reino da competição, mas o reino de Deus é reino da cooperação (Sf
3:9; Ef 4:16). Podemos ter características diferentes e estilos diferentes, mas isso não
impede que sirvamos ao Senhor em unidade e ajuda mútua.
Ser um ministro de música é ter um coração de servo, que tem como motivação principal
servir a Deus, a família, aos irmãos e aos perdidos.

5- Submisso. (Rm 13:2).

Submissão é uma das características de um verdadeiro filho de Deus. Ao formar a equipe
musical, procura-se dar oportunidade àqueles dentro da congregação que se destacam
por sua habilidade musical. Alguns cuidados devem ser tomados nesta escolha. Mesmo
com alguns cuidados sendo tomados, não se pode adivinhar o que virá pela frente. Neste
sentido, às vezes nos deparamos com pessoas incapazes de se submeterem à liderança.
Quando estes, depois de muitas conversas, irremediavelmente não se ajustam, devem ser
convidados gentilmente a se desligarem da equipe (Jo 6:65-66).
Existe, hoje em dia, um aspecto importante que tem se tornado um grande problema,
onde observamos que muitas bandas gospel não querem estar ligadas a nenhuma
igreja e a nenhum pastor. No livro de Provérbios 18:1 diz: "O solitário busca o seu
próprio interesse, e insurge-se contra a verdadeira sabedoria". Todo músico precisa ser
pastoreado. Quem deseja andar isoladamente, está buscando o seu próprio interesse,
tendo uma atitude egoísta. Nós músicos precisamos de cobertura espiritual, ensino,
admoestação e correção dos nossos líderes e, a partir de então, ganharemos autoridade
para ministrar e seremos uma benção para o corpo de Cristo. Só tem autoridade quem
caminha debaixo de autoridade!
Aquele que agora tem um coração novo é capaz de submeter-se à vontade de Deus, aos
líderes e aos irmãos (Ef 5:8-21).

6- Conhecimento técnico. (Sl 33:3).

A nossa oferta ao Senhor no que diz respeito à música tem que ser excelente em todos os
sentidos, incluindo a apresentação e a execução. Não podemos usar a justificativa de que
tudo o que fazemos é para a honra e glória do Senhor apresentando assim, algo mal feito
e sem preparo, pelo contrário, precisamos apresentar o excelente para a honra e glória do

Senhor.
O Salmo 33:3 diz: "Cantai-lhe um cântico novo, tocai bem e com júbilo". "Tocar bem" em
hebraico significa yatab, e seu significado se amplia: fazer bem algo, fazer algo bonito,
agradável e bem feito, de maneira completa, detalhada e minuciosa.
Uma música bem ensaiada e bem preparada não irá "apagar o Espírito" como muitos
pensam, pelo contrário, quando há preparação Deus se manifesta de maneira poderosa (II
Cr 20).
Deus não dá o prêmio à mediocridade e negligência, mas sim à fidelidade,
responsabilidade e diligência.

7- Relacionamento com a equipe. (Rm 8:29).

A vida em família é um projeto de Deus para nós e a família ministerial deve ser a
extensão da nossa casa. A vida em família é um princípio que precisa ser desenvolvido no
ministério de música para o fortalecimento e crescimento de todos os seus integrantes (Ef
2:19-21).
O que temos observado é que muitos músicos não querem ter relacionamento e comunhão
com as pessoas. É possível ser parte de uma família e não ter comunhão com ela? Não.
Sendo assim, quem não cultiva comunhão não pode participar de nenhum ministério.
Os discípulos de Jesus revolucionaram o mundo porque estiveram com Ele, aprenderam
com Ele e falavam a linguagem do mestre. Observe alguns aspectos da vida em família:
A) Caminhar numa mesma visão - (I Co 1:10; Sf 3:9). Visão + Visão = Divisão.
B) Comunhão uns com os outros - (I Jo 1:7). Devemos estar juntos, sair, orar,
compartilhar necessidades, etc.
C) Respeito mútuo - (II Co 10:13). Devemos conhecer nossos limites! Devemos tomar
cuidado com as brincadeiras e apelidos que damos as pessoas para não magoá-las.
D) Alegrarmos e chorarmos juntos - (Rm 12:15). Unir-nos nas conquistas e nas
tribulações.
E) Vida de transparência (Tg 5:16) e Pacto de aliança (I Sm 18:1-4). Compromisso uns
com os outros de fidelidade, integridade, lealdade, amor, amizade e companheirismo em
todos os momentos da vida. Vivamos em família!

Deus abençoe!

Ronaldo Bezerra